A empresa para a qual presto consultoria mudou-se de sede nesta semana. O proprietário do local antigo era muito pouco compreensível com a crise financeira alheia e não admitia que o inquilino ficasse inadimplente por quaisquer seis meses.
A alternativa foi achar um lugar mais aconchegante, afinal de contas o lugar antigo tornara-se muito amplo devido à correção de rota imposta pela saúde financeira da empresa. É, devo admitir que correção não foi exatamente o evento que estabeleceu a nova rota, mas vou me permitir usar jargões mais palatáveis para referir-me às situações da empresa.
Mas o que achei mais divertido foi o espiritualismo inerente ao brasileiro que se aflorou nesse processo todo. Acho curioso também, e imagino que esteja impresso em algum gene exclusivamente humano, a busca imediata e reiterada por desculpas. Esses dois fatores juntos, a necessidade de justificativas e a metafísica, começaram a produzir natural e diversificadamente comentários como:
— Que bom que a gente mudou, aquele lugar tinha uma energia estranha.
— Nossa, o clima lá era tão pesado que ali deve ter sido ser algum cemitério indígena (risos).
Bom, eu sou muito mais mundano e estou convicto que todo o clima que foi gerado ali não foi decorrente de despachos mal intencionados da concorrência em alguma encruzilhada potente como o cebolão, o viaduto que liga as marginais Pinheiros e Tietê e a rodovia Castello Branco na capital paulista.
Será que a boca do sapo é tão elástica que seria possível amarrar ali um cronograma físico-financeiro, ou uma planilha de P&L? Se bem que pelo estado em que chegamos, se eu visse qualquer artefato de gestão financeira ou de projetos por aqui, eu bradaria:
— Chuta que é macumba!

fonte: ivancabral.blogspot.com















