Oremos…

Eu juro que tento me policiar para não ser reducionista e estabelecer que o mundo corporativo se divide em duas partes antagônicas e diametralmente opostas: a dos chefes e a dos peões. Faço isso porque a tendência natural é de eu achar que se o cara é chefe, vai querer me ferrar só por força do hábito. Meu colega, o homem ácido, tinha uma teoria de que o cara para ser chefe tem que ser FDP.

CUMPRA-SE!

Bom, o fato é que ultimamente o nível dos chefes tem caído assustadoramente. Antes você ainda encontrava chefes que ferravam por ossos do ofício, mas que você sabia que o cara era legal ou competente e só estava cumprindo o papel dele, então até dava para comprar a briga do cara. Mas ultimamente tem surgido uma classe de janotinhas que fazem qualquer cursinho de PMI, ou coisa que o valha, e entram no mercado para exorcizar suas frustrações, complexos e outros problemas que seriam mais bem tratados em um divã.

Eis que chega um chefe novo, o trakinas, querendo mostrar serviço da pior forma possível, tentando exercer o poder pelo poder, dando ordens sem nenhuma lógica, mudando a galera de lugar só para mostrar que manda, enfim, o supra-sumo do babaca.

BA - BA - CA

O problema é que nessas tentativas autoritárias o cara acaba se perdendo e começa a esbarrar nas suas próprias incompetências. Na ânsia de cumprir as receitas da nobre arte da gerência de projetos, o cara acaba falhando no básico, mas vamos ao que interessa. O trakinas chama um gerente da equipe, veja bem, o trakinas não é qualquer porcaria, é o chefe do chefe. Ele quer discutir a divisão de horas a serem pagas para dois funcionários, ele não está concordando com a conta feita pelo gerente:

— Gil, como você está dividindo essas horas na planilha?!

— É simples traquinas, para um funcionário eu atribuí x/3 horas, e para o outro eu atribuí 2x × 1/3.

— Pô Gil, mas aí não dá. A conta dá diferente, você está misturando multiplicação com divisão!

Gil consternado argumenta…

— É… trakinas, a precedência dessas duas operações são equivalentes. O resultado sempre vai dar igual.

Trakinas posiciona-se no púlpito da sua arrogância:

— Gil, vou mostrar que não, quer ver?

Trakinas abre o Microsoft Excel e coloca uma conta numa célula, e a outra em outra célula, e o resultado é obviamente o mesmo. Não conformado, ele troca de célula, mas tudo ocorre como antes, e então ele sai com a clássica:

— Bom, agora eu tenho que ver outras coisas, depois eu vejo isso…

Acho que o problema de Gil, o gerente, foi se concentrar na explicação das operações, quando a resposta estava no outro termo da expressão.

Pai, dai-me força, eles não sabem o que fazem

 

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